quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PMDB: o falso aliado.

O PMDB é como um veículo que não dá pra confiar, pode deixar Dilma na mão a qualquer hora.

O PMDB ameaça se rebelar contra o governo Dilma, por não ter recebido o número de cargos no primeiro e segundo escalão no tanto que achava ter direito. Já fala em votar pelo aumento maior do salário mínimo e outras medidas contra o governo.

Se Dilma tivesse lhes dado tantos cargos quantos foram reivindicados, não significaria de modo nenhum que na primeira chance, uma votação relevante para o governo, o partido não se rebelaria por mais cargos, mais influência etc.

É prática comum dessa agremiação se valer de seu tamanho e falta de vergonha, para mesmo tendo conseguido os cargos reivindicados, se rebelar e pedir mais numa situação delicada em que esteja em situação estratégica.

Não foi a primeira nem vai ser a última.

É a melhor expressão do 'falso aliado'.

2011: ano dos afrodescendentes. Você sabia?

Não sabia que 2011 seria considerado pela ONU o Ano Internacional para Afrodescendentes. O problema é, na prática, o quê isso significa? Uma propaganda na televisão, um cartaz na rua?...

O mundo só se torna mais ameno, mais humanista quando há água, ração , teto e emprego para uma ampla maioria. Como boa parte do mundo está em crise, principalmente Europa e EUA, a cizânia, a segregação, as leis anti-imigração ganham terreno.

Campanhas contra discriminação - de negros, judeus, latinos, mestiços, ciganos etc - só ganham espaço num ambiente em que não há concorrência para a sobrevivência.

Resumindo: no mundo dos homens, o humanismo precisa de barriga cheia para existir. Sem isso, perdem os escrúpulos, viram feras, predadores.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ele voltou.

Na segunda metade da década de vinte, um grupo de italianos teriam atravessado o Atlântico num hidroavião de nome "Santa Maria", e pousado na represa do Guarapiranga, em Santo Amaro, que à época era município independente de São Paulo, sendo reincorporado à capital, na década de trinta..

Logo depois, um grupo de brasileiros teríam repetido o tento, no hidroavião "Jahú" em homenagem à cidade natal de seu aviador, também pousou nas águas da represa que a Light & Power Co. criara na primeira década do século. Os dois vôos aconteceram em 1927.

Os aviadores brasileiros chegaram a ser recebidos no Palácio do Catete no Rio, pelo então presidente Washington Luis.

Para celebrar o fato, Mussolini, o mandatário italiano, teria mandado uma coluna de uma construção milenar romana. Italianos aqui residentes teríam contribuido com a estátua de Ícaro e outros badulaques que complementaríam o monumento de 9 metros.

Como símbolos fascistas fazem parte da obra, sempre houve certa discussão se é uma suposta homenagem ou pretexto para propaganda fascista. Na década de oitenta, o prefeito Jânio Quadros a removeu para uma região mais central, até porque estava praticamente abandonada em seu local original, mas descaracterizou a estátua situada fora de lugar, de contexto etc.

Agora em dezembro, o monumento voltou restaurado às margens da represa do Guarapiranga, inaugurado pelo prefeito Kassab e seus puxas. Não está no seu lugar original mas está muito bem localizada e em seu contexto, que é homenagear os aviadores que atravessaram o oceano e pousaram ali, na represa.

Particularmente, gostei de ver a estátua de volta à região. Quando eu era moleque, ficava intrigado com aquela estátua de um cara de asas lá em cima. Não sabia o que significava, mas me prendia a atenção pela sua imponência. Mais tarde iria descobrir que isso é um traço comum das obras nazi-fascistas.

O fato de ter símbolos fascistas não é motivo para querer depredar a obra como faz parte de sua história, ou criticá-la, como ainda o fazem. Não tenho nenhuma simpatia por nenhum regime ou sistema de governo autoritário, centralizador, etc, mas nem por isso vou defender que se estrague uma parte da história da humanidade.

Auschwitz, por tudo o que representou, não foi derrubado. Pelo contrário, é preservado até hoje, e não por simpatia ou afinidade, mas porque faz parte da história e é um bom motivo para se conversar a respeito com os mais novos, mostrar o que aconteceu, discutir valores etc.

Da mesma maneira, fazendas em que foram empregadas mão de obra escrava, outra chaga da humanidade, é positivo que tenham sido preservadas com todo seu instrumental. Visitá-las é um bom programa. Ficar diante de artefatos em que se prendiam e torturavam seres humanos - que não eram necessariamente assim considerados - nos faz pensar, tanto quanto um livro, um documentário...

Tudo isso faz parte da saga do ser humano em seu planeta. Não se limpa o passado destruindo partes de sua história. Destruir não é nenhuma demonstração de sabedoria, de pensamento crítico ou de superior discordância, é apenas demonstração de imaturidade, compreensão curta das coisas.

Limpemos e cuidemos do presente, que direta ou indiretamente, temos nossa parcela de culpa e cumplicidade com suas mazelas. Isso sim, seria uma atitude consciente e coerente.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O império da ignorância agoniza.

Esse tal de Silvio Santos é uma figura controversa. Há muito tempo, e mais de uma vez, ouvi notícias de que ele não daria o retorno em prêmios que deveria dar pelos seus jogos de azar - bota azar nisso. Esses carnês, telessenas, sorteios, e sei lá mais o quê que esse senhor oferece, deveria reverter uma porcentagem em prêmios - por lei - que não seria cumprida.

Também nunca ouvi falar que tenha sofrido qualquer sansão. Considerando que a nobreza no Brasil está acima da lei e, por isso pessoas influentes não vão presas, e raramente são punidas, então, até aí, tudo normal.

Com seu banco - o PanAmericano - saindo da UTI em que recebeu uma transfusão de dois Bi e meio, que o patrão vai ter que restituir, a máquina de arrecadação deve funcionar como nunca. Se fosse de um fundo público, o costume é dar um 'pelé' no governo e boas, mas como é um fundo particular, então pelo jeito vai ter que casar uma em cima da outra.

Os pobres e inocentes que levantaram o império do magnata, muito contribuíram e pouco ganharam mas sempre foram fiéis, agora mais do que nunca serão protagonistas do reerguimento do 'homem do baú', provavelmente com menos prêmios ainda.

Se não ligaram pra isso antes, vão ligar agora?

A desgraça da humanidade

"A desgraça da humanidade começou por causa da mulher."


Edilson Rumbelsperger juiz mineiro, afastado do cargo por machismo.



Pelo jeito a mãe dele contribuiu muito para a "desgraça da humanidade".

O poeta e o mercenário

José Sarney, em Londres, teria pisado propositadamente na lápide do túmulo de lorde Cochrane, comandante das tropas mercenárias contratadas por D. Pedro I para apaziguar Estados revoltosos por causa do rompimento com Portugal. Segundo o historiador Laurentino Gomes, em sua obra "1822", Sarney teria ódio de Cochrane pelo fato deste último ter pilhado o Maranhão. A considerar a estirpe política a que o nobre presidente faz parte, poderia dizer que sua diferença da do lorde, seria sua nacionalidade e época. De resto...

sábado, 13 de novembro de 2010

Será qu'eu existo?

Abri o jornal e vi que o tal do 'Censo 2010' acabou. Ué, mas pra mim nem começou ainda. Outro dia ouvindo uma rádio, alguns ouvintes reclamavam que apenas algumas casas, ou apês, eram recenseadas - uma minoria. Apesar de nunca ter visto um recenceador, pensava que todas as casas eram pesquisadas, mas como nunca estive em casa no período comercial, achava que fosse esse o problema. Com este recenseamento, estou mudando minha concepção a respeito.

Tenho uma dúvida sobre quem não existe: eu ou o recenseador? Eu - apesar de minhas décadas de vida - nunca ví lobisomem, vampiro, mula-sem-cabeça, gnomo, fantasma...e recenseador. Talvez um de nós dois seja uma figura mítica, fruto da imaginação. Descartes resolveu sua inquietação numa frase: 'cogito ergo sum' ou seja, 'penso, logo existo'. Duvido até se penso, que existo então...

Quando anunciaram que a contagem ia começar, alguém do IBGE, numa entrevista afirmou que equipes seriam deslocadas para as regiões mais distantes e de dificil acesso do país, e que caso não fossem abordados em horário comercial, passariam à noite, nos finais de semana etc. Ao final, eu que moro no centro da bagunça - São Paulo - não senti nem cheiro de recenseador. Minhas pulgas estão desoladas, sentindo-se rejeitadas.

Na página do IBGE, aponta: "A coleta do Censo 2010 terminou". Em "Apresentação", a

instituição afirma: "Em 2010, o IBGE realizará o XII Censo Demográfico, que se constituirá no grande retrato em extensão e profundidade da população brasileira e das suas características sócio-econômicas e, ao mesmo tempo, na base sobre a qual deverá se assentar todo o planejamento público e privado da próxima década". Grifo meu.

O prefeito de Campinas, a segunda maior cidade do Estado, também não concordou com a maneira como o recenseamento foi feito. A questão não é só de saber quantos cidadãos existem, mas tem consequências como repasse de verbas, investimentos etc, decorrência do desenvolvimento apontado pela pesquisa. O pior é que o prefeito promete não ficar só na indignação, mas vai comandar um recenseamento tocado pela prefeitura. Caso dê números distantes dos apontados pelo orgão federal, vai dar muito o que falar podendo levar a um descrédito ainda maior não só desta contagem como botar a própria imagem do IBGE em descrédito.

Parece que há falta de bom senso, ou seria bom censo?