terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Turistas no Egito não perderam a viagem.

 
Turistas que foram ao Egito atrás de história mumificada deveriam ficar para ver a história viva.

Meios de comunicação mostram o movimento migratório de turistas do planeta inteiro, que excursionam pelo Egito, em direção ao aeroporto tentando se picar de lá. Devido aos tumultos nas ruas e o fechamento do acesso às pirâmides e ao museu do Cairo - as múmias estão de folga - não há o que fazer por lá, comentam jornalistas e embaixadas, então o mais seguro é tirar o escalpo da reta.

Quem vai ao Egito está interessado em história, só que uma história silenciosa, embalsamada, mumificada, de rochas desgastadas, que se manifesta por placas e cartazes com pequenos textos - que se o turista não conhecer pelo menos o inglês, não vai entender muita coisa.

Pô, tá certo que ninguém vai conseguir ver múmia, mas é a grande chance indisperdiçável de ver a história viva, sangue quente bombando nas ruas. O que o mundo está acompanhando pela televisão ou internet, uma minoria tem o privilégio de estar na boca do vulcão, na pororoca entre deus e o diabo.

A história pulsante, barulhenta, em que a presença é arriscada e estimulante acontecendo perto do nariz, com todos os sentidos, sentimentos e emoções: gritos, poeira, fumaça, correria, enfrentamento, a nuvem de gás lacrimogêneo que sufoca, ataca os olhos, corpos caídos, pedradas...

Estar no furor dos acontecimentos é uma coisa que não tem preço, não volta atrás pra quem não viu poder ver. O que passou já era. Ficamos reféns de imagens e textos dos meios de comunicação que lavam e passam as informações conforme suas conveniências, acadêmicos e comentaristas conforme suas ideologias.

José Bonifácio, que passou à história como "Patriarca da Independência",foi um brasileiro privilegiado. Viu a revolução francesa, estava lá na hora do pau comendo. Participou da resistência portuguesa à ocupação francesa de Napoleão, e foi influente no rompimento do Brasil com Portugal. Estava com o nariz enfiado em grandes momentos históricos de sua época.

Hoje, pessoas que estão no olho do furacão, vendo uma movimento popular que assola diversos países árabes prometendo mudar todo o mapa político mundial, querem sair de lá. Quem está alí, na hora certa, no lugar certo, sai correndo de medo. Ah, assim não dá!

Daqui a algumas décadas, talvez nem tanto, esses eventos estarão nos livros de história que a molecada vai ouvir falar. Já pensou poder falar que estava lá, presenciou os fatos in loco.

Não é pra sair correndo pro aeroporto, é pra ir pras ruas, sentir a força dos movimentos sociais e políticos. Ver e viver os fatos de seu tempo.

As múmias e as pirâmides que viram areia pelo tempo continuarão em seus lugares nos esperando.
Foto chapada: Mubarak, é melhor sair enquando dá. O caldo vai engrossar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Folha: não dá pra ler.

Pra isso que serve a Folha.

Interessante a ilustração do site do jornalista Paulo Henrique Amorim à Folha de São Paulo (Conversa Afiada), que teria tentado denegrir a Petrobras com uma reportagem que dizia que a empresa iria diminuir as compras no país e a Petrobras a desmentiu informando que tinha informado o jornal que a informação não procede antes de sua publicação.

O grande jornaleco paulista peca em credibilidade e falta de vergonha. A Folha é chamado ironicamente de "ditabranda" por seu apoio a ditadura militar e por que um dos seus capos ter dito que a ditadura no Brasil teria sido branda, uma "ditabranda".

Para Paulo Henrique Amorim, este jornaleco é mais um que faz parte do "PIG" (Partido da Imprensa Golpista).

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Caso Somália:quem acha que a polícia investiga alguma coisa?

Somália pensou que fosse gente comum.

O jogador Somália do Botafogo teria inventado um falso sequestro relâmpago tentando fugir da multa por atraso por parte do clube. A polícia foi investigar o caso e descobriu que era lero do atleta. O erro de cálculo, foi o jogador se achar um cidadão comum.

A expectativa que se tem, é que se alguém for a uma delegacia de polícia e der queixa de roubo de um relógio de pulso e perto de mil reais, é que o caso será arquivado. Quando virar as costas, já era, seu caso estará encerrado. O máximo que poderá render é virar estatística.

Mas isso, para os pobres mortais, para as celebridades, a coisa é outra.

O jogador arrumou pra cabeça. A delegada anda declarando que além de multa, pode pegar uma cana. O clube também já declarou que deve abocanhar 40% da grana do Pinóquio. Sem falar da pegação no pé por parte da imprensa, torcida e populares - talvez a pior pena.

Convocado, não apareceu na delegacia.

Se algum outro estiver pensando em dar um 'pelé' no time, é melhor dar uma desculpa melhor, ou assumir a bronca de perder o dia mais multa.

Sai mais barato.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"O cara" pisou na bola.

O caso do último escândalo de Lula de dar passaporte diplomático para toda a família perto do encerramento de seu mandato serviu para um efeito positivo: a indignação está trazendo à tona que o costume é muito mais comum que possa imaginar nossa vã filosofia.

"Dos 662 vistos concedidos aos parlamentares e seus parentes desde 2009, 577 (87%) foram para viagens a passeio, e só 69 deles tiveram como justificativa 'missão oficial', ou seja, trabalho", conforme reportagem do jornal O Estado de São Paulo, de sábado, 8 de janeiro.

O que Lula fez é prática comum em nossa república do deita e rola. Ele mesmo já disse uma vez, que todo mundo faz, quando o PT foi pego com grana de caixa 2.

A OAB teria pedido que os filhos e o neto de Lula devolvessem o passaporte. O filho mais velho disse já ter devolvido.

Pra variar é só mais um instrumento de Estado, que deveria ser utilizado a serviço mas serve aos anseios particulares dos nossos homens públicos.

"Na Suíça, a assessoria de imprensa do governo chegou a perguntar à reportagem do[jornal] Estado o motivo de manter um passaporte diplomático para um filho de ex-presidente.'Por que daríamos esse benefício a um parente de um ex-político?', questionou um assessor, ao ser informado sobre o caso do ex-presidente Lula."

Ah, não sabe este mero assessor do que são capazes os "representantes do povo" aqui do nosso riquíssimo país. Uma penca de parlamentares vão assumir seus mandatos durante o recesso, com direito a tudo quanto é verba para a farra, torrar zilhões com o parlamento fechado. O quê são alguns milhões a mais de despesa para um país que anda "emprestando dinheiro para o FMI"?

Ainda na reportagem do jornal, um alto diplomata francês consultado afirma:"Passaporte diplomático não garante imunidade diplomática, que só é válida no exercício de missão. Na verdade, não há vantagem nesse passaporte além de furar a fila no aeroporto."

Falta muito para deixarmos de ser um paisinho de terceiro mundo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PMDB: o falso aliado.

O PMDB é como um veículo que não dá pra confiar, pode deixar Dilma na mão a qualquer hora.

O PMDB ameaça se rebelar contra o governo Dilma, por não ter recebido o número de cargos no primeiro e segundo escalão no tanto que achava ter direito. Já fala em votar pelo aumento maior do salário mínimo e outras medidas contra o governo.

Se Dilma tivesse lhes dado tantos cargos quantos foram reivindicados, não significaria de modo nenhum que na primeira chance, uma votação relevante para o governo, o partido não se rebelaria por mais cargos, mais influência etc.

É prática comum dessa agremiação se valer de seu tamanho e falta de vergonha, para mesmo tendo conseguido os cargos reivindicados, se rebelar e pedir mais numa situação delicada em que esteja em situação estratégica.

Não foi a primeira nem vai ser a última.

É a melhor expressão do 'falso aliado'.

2011: ano dos afrodescendentes. Você sabia?

Não sabia que 2011 seria considerado pela ONU o Ano Internacional para Afrodescendentes. O problema é, na prática, o quê isso significa? Uma propaganda na televisão, um cartaz na rua?...

O mundo só se torna mais ameno, mais humanista quando há água, ração , teto e emprego para uma ampla maioria. Como boa parte do mundo está em crise, principalmente Europa e EUA, a cizânia, a segregação, as leis anti-imigração ganham terreno.

Campanhas contra discriminação - de negros, judeus, latinos, mestiços, ciganos etc - só ganham espaço num ambiente em que não há concorrência para a sobrevivência.

Resumindo: no mundo dos homens, o humanismo precisa de barriga cheia para existir. Sem isso, perdem os escrúpulos, viram feras, predadores.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ele voltou.

Na segunda metade da década de vinte, um grupo de italianos teriam atravessado o Atlântico num hidroavião de nome "Santa Maria", e pousado na represa do Guarapiranga, em Santo Amaro, que à época era município independente de São Paulo, sendo reincorporado à capital, na década de trinta..

Logo depois, um grupo de brasileiros teríam repetido o tento, no hidroavião "Jahú" em homenagem à cidade natal de seu aviador, também pousou nas águas da represa que a Light & Power Co. criara na primeira década do século. Os dois vôos aconteceram em 1927.

Os aviadores brasileiros chegaram a ser recebidos no Palácio do Catete no Rio, pelo então presidente Washington Luis.

Para celebrar o fato, Mussolini, o mandatário italiano, teria mandado uma coluna de uma construção milenar romana. Italianos aqui residentes teríam contribuido com a estátua de Ícaro e outros badulaques que complementaríam o monumento de 9 metros.

Como símbolos fascistas fazem parte da obra, sempre houve certa discussão se é uma suposta homenagem ou pretexto para propaganda fascista. Na década de oitenta, o prefeito Jânio Quadros a removeu para uma região mais central, até porque estava praticamente abandonada em seu local original, mas descaracterizou a estátua situada fora de lugar, de contexto etc.

Agora em dezembro, o monumento voltou restaurado às margens da represa do Guarapiranga, inaugurado pelo prefeito Kassab e seus puxas. Não está no seu lugar original mas está muito bem localizada e em seu contexto, que é homenagear os aviadores que atravessaram o oceano e pousaram ali, na represa.

Particularmente, gostei de ver a estátua de volta à região. Quando eu era moleque, ficava intrigado com aquela estátua de um cara de asas lá em cima. Não sabia o que significava, mas me prendia a atenção pela sua imponência. Mais tarde iria descobrir que isso é um traço comum das obras nazi-fascistas.

O fato de ter símbolos fascistas não é motivo para querer depredar a obra como faz parte de sua história, ou criticá-la, como ainda o fazem. Não tenho nenhuma simpatia por nenhum regime ou sistema de governo autoritário, centralizador, etc, mas nem por isso vou defender que se estrague uma parte da história da humanidade.

Auschwitz, por tudo o que representou, não foi derrubado. Pelo contrário, é preservado até hoje, e não por simpatia ou afinidade, mas porque faz parte da história e é um bom motivo para se conversar a respeito com os mais novos, mostrar o que aconteceu, discutir valores etc.

Da mesma maneira, fazendas em que foram empregadas mão de obra escrava, outra chaga da humanidade, é positivo que tenham sido preservadas com todo seu instrumental. Visitá-las é um bom programa. Ficar diante de artefatos em que se prendiam e torturavam seres humanos - que não eram necessariamente assim considerados - nos faz pensar, tanto quanto um livro, um documentário...

Tudo isso faz parte da saga do ser humano em seu planeta. Não se limpa o passado destruindo partes de sua história. Destruir não é nenhuma demonstração de sabedoria, de pensamento crítico ou de superior discordância, é apenas demonstração de imaturidade, compreensão curta das coisas.

Limpemos e cuidemos do presente, que direta ou indiretamente, temos nossa parcela de culpa e cumplicidade com suas mazelas. Isso sim, seria uma atitude consciente e coerente.