domingo, 17 de outubro de 2010

Religiões e campanha eleitoral:o atraso à frente

É o fim da picada ver a influência das religiões na reta final da campanha eleitoral para presidente da república. As religiões são por essência no mínimo conservadoras, ou reacionárias por excelência. Representam o atraso. Sempre estiveram do lado dos ricos, dos corruptos, dos golpistas, da direita - tão reacionária quanto - da segregação social em nome de seu deus. Rico governa, pobre vive de esmola e resignado, agradece.

Católicos e evangélicos são farinha do mesmo saco. Reacionários, atentam contra conquistas humanistas de séculos, como igualdade de direito das mulheres, liberdade sexual, descriminalização do aborto, a união civil entre homossexuais ou 'casamento gay' como pregam os reaças...

Deixaram de destilar seus ódios recíprocos, e resolveram atentar contra a sociedade como um todo, na figura de um candidato.

Invés de discutir o desenvolvimento do país inserido em um contexto internacional em crise, momento em que o Brasil pode ter um protagonismo relevante, o país se perde em conceitos e valores medievais, de religiões de mentalidade primeva, estúpida.

O discurso "pró-vida" a que os candidados relutam se submeter, esconde na realidade o conservadorismo, o atraso, o obscurantismo, ainda que não raras vezes o discurso de 'vida' venha encharcado de dor, sofrimento e morte, principalmente sobre as mulheres, que esses exploradores da fé e da ignorância sempre as trataram do ponto de vista machista e da inferioridade. As mulheres alcançaram degraus maiores em sociedades e extratos sociais em que as religiões deixaram de ter muita influência.

 
Esta ilustração publicada às vésperas da revolução francesa já denunciava o clero aliado à nobreza, parasitas que vivem às custas do povo.

Católicos e protestantes tiveram numa fala sobre aborto da candidata governista a deixa para destilar suas iras à candidata de viés esquerdista, travado na garganta, podendo agora apoiar abertamente o candidato do capital, da elite que as igrejas tanto adoram. Unindo-se a isso, o engajamento declarado e em peso da imprensa a favor do candidato da oposição, bota a candidata de Lula em situação bastante delicada nesta reta final.

A candidata governista terá que optar por um dos dois grandes contingentes da sociedade: se curvar ao obscurantismo medieval religioso, a intolerância fundamentalista, característica de país de terceiro mundo, ou se aliar a setores esclarecidos, humanistas, progressistas, que cultivam e prezam e respeitam a diversidade, a pluralidade, o desenvolvimento pleno do cidadão.

Palavra de sabedoria aos cristianistas católicos e evangélicos: peguem sua religiaozinha, sua blibliazinha, seu deuzinho, sua moralzinha mesquinhazinha, s'enforquem com a corda da descarga e pulem dentro do vaso sanitário da história. Amém.

As intelectuais bactérias

Curioso como as bactérias sem verbas vultosas nem grandes laboratórios, anulam anos de pesquisa de grandes instituições de pesquisa do mundo num simples 'drible' genético, tornando-se resistentes aos antibióticos de última geração.

Mais curioso ainda é que as superbactérias aparecem exatamente nos hospitais, embaixo do nariz de infectologistas armados de seus superantibióticos, cada vez mais poderosos e incapazes de barrar as sagazes criaturas unicelulares.

A última 'Rambo' que apareceu, a 'superbactéria KPC' parece ter encerrado a era Fleming, tornando a penicilina inócua. Alexander Fleming foi o descobridor da penicilina. Esta superbactéria está se disseminando rapidamente, nos esperando nos principais hospitais do país, tendo matado algumas dezenas de pessoas. Alguns pacientes com operações agendadas preferiram tirar o seu da reta, adiando-as, como médicos têm recomendado postergações.

Se, tornar-se resistente já causa uma grande preocupação, pois as drogas passam a ter um tempo de vida útil determinado pela capacidade de mutação das bactérias, esta última vem com um habilidade a mais: pode transferir sua restência para outras bactérias mesmo de espécies diferentes. Ou seja, uma bactéria que transfere sua atualização contra drogas desenvolvidas pelos humanos à outras bactérias. I nóis, ó...

Essa corrida contra esses micro-organismos faz com que, a qualquer hora, pra acabar com uma simples gripe, tenhamos que tomar uma bomba de neutrons, e ainda assim, olhe lá, de repente elas se tornam resistentes também - a gente não.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Protesto contra a auto-burrice eleitoral

Mais de um milhão e trezentos e cinquenta mil alegres abestados votaram no candidato Tiririca, que os meios de comunicação apelam alegando "voto de protesto".

Se for, grande protesto esse, por que apesar de, de fato a política nacional estar uma meleca e o Congresso parecer um penico, não tem um parlamentar biônico lá, todos os energúmenos que nos representam - belo sofisma - todos foram eleitos, nenhum indicado.

Então votar numa besta em protesto contra a merda que são nossos eleitos é protestar contra o quê? Contra o rasteiro nível dos votados, ou o desprezível nível dos votantes? A população protesta contra sua auto-irresponsabilidade. Resumindo: é eleitor protestando contra o próprio eleitor.

Muita gente fala que político é tudo a mesma coisa, geralmente para esconder sua ignorância, sua indisplicência na hora de votar, sua irresponsabilidade em relação a acompanhar o mínimo do que acontece com seu país, seu Estado, ou mesmo sua cidade, e ainda fazer pose de critico.

Na hora de votar, tem aqueles que catam no chão um papel de propaganda política, por que não têm candidato, e aí votam em qualquer um, em qualquer coisa. Tem como um comedor de grama desses depois vir criticar a política, os políticos etc? Via muito isso quando fazia boca de urna e era idealista, e ví isso de novo domingo quando estava trabalhando na eleição. Uma senhora catou um papel do chão pra votar. Grande responsabilidade. Grande atitude cívica. Não dá pra defender a obrigatoriedade do voto com eleitor desse nível.

Não tem candidato, não vota. Deixe em branco, anula. Alguém chamaria qualquer um na rua pra tomar conta de sua casa, olhar suas crianças na sua ausência? Por que agir assim na hora de escolher quem vai criar leis, governar o país, tomar conta e gerir o dinheiro público? Deixemos que os cidadãos consciêntes, responsáveis, os interessados, os comprometidos escolham aqueles que conduzirão o país, e que fiquem em casa aqueles que nasceram para serem conduzidos.

Nas eleições pra vereador em São Paulo em 2008, quase foi eleito um jogador de futebol, uma verdadeira anta cujo lema era "corintiano vota em corintiano", e teve - se não m'engano - perto de vinte e dois mil votos, mas por sorte não foi eleito. Estava claro que o cara queria entrar só pra se dar bem, viver às custas dos outros. Ele não entende nada de nada, aparecia e apareceu de novo fazendo gracinha como perfeito imbecil que é, e muita gente vota num estúpido desses. E o quê dizer de um eleitor desses que tem o cérebro ligado aos intestinos?

Neste mandato que está terminando o Congresso deitou e rolou em escândalos. Roubaram, meteram a mão que foi uma beleza, aumentaram suas beneces etc. Nesse mesmo período, tivemos grandes confrontos com a polícia, só que por causa de futebol.

Que país é esse?

domingo, 12 de setembro de 2010

Mãos Limpas do Amapá: mais do mesmo.

A delinquência de alto escalão no Estado do Amapá não precisa ficar nervosa. Esse jogo de cena de prender todo mundo é só pra dar a entender que a lei existe, é igual pra todos e que está funcionando. Se fosse assim, não faltariam 'homens públicos' - e mulheres também - comendo marmitex no xilindró. Coisa mais difícil do mundo.

Os bacanas vão passar quem sabe uma, talvez duas semanas descansando, aí depois algum juiz livra a barra e todo mundo volta acuidar de seus negócios. Todo mundo numas: menos porteiro, motoqueiro, faixineira...esses vão ficar sob a guarda da justiça, por que a justiça é implacável.

Nos dias em que seria desencadeado a operação pela Polícia Federal, Sarney havia dado uma voadinha ao Amapá num voo que não poderia ser registrado, oficialmente não teria existido. "Sem registro de rota e sem registro de tripulação". O quê que ele foi fazer lá, no centro da farra? Por que às escondidas? Se foi pra fazer um pé de meia e alguém ficar sabendo, vai dar alguma coisa? Nunca deu. A justiça não chega a atingir a nobreza nacional, só os pé rapado.

Um dia a gente acorda(aí vira de lado e dorme de novo).

Tem eleitor que é cego.

Na propaganda eleitoral gratuita uma eleitora aborda o candidato Serra e após um beijinho ela declara:"Você é muito bonito". E o Serra, surpreso: "Puxa!"

Até Serra ficou assustado com a falta de visão de seus eleitores.

Eles decidirão o destino da nação.

O México, o Brasil, e o "efeito Orloff"

As notícias da carnificina que ocorre no México sobre o combate ao crime organizado por parte do governo federal e o confronto entre os próprios criminosos são cada vez mais impressionantes .

Daqui, a maior parte dos "analistas" falam a mesma coisa: que a política de enfrentamento não dá resultado - ou que tem resultados discutíveis - e que por isso deveria ser abandonada essa prática.

Será que o erro está em ir para o confronto, ou ter deixado chegar aonde chegou? O Estado - a sociedade - está tudo bichado. O crime está disseminado por praticamente todo o poder - polícia, judiciário, fronteiras...Ou a autoridade é corrupta, ou está com medo, acuada. E aí, ou está inserida no contexto da meliantagem, ou faz corpo mole.

No Brasil não faltam capitais em que se diz entregues ao tráfico, à bandidagem, e o máximo que as autoridades podem fazer - fazem - é orientar algum incalto para evitar tais áreas em determinados períodos do dia ou da noite. A polícia precisa pedir licença pra entrar e agradecer ao sair.

Alguém se lembra da famosa expressão "efeito Orloff"? De uma propaganda de bebida que tinha como chamada algo do tipo "eu sou você amanhã". Pois é, a continuar assim, podemos ter uma ideia do que pode acontecer se o Estado brasileiro resolver peitar o neocoronelismo do país, ou se continuar fazendo corpo mole.

O Rio resolveu ir pra cima dos traficantes no começo do ano e as críticas foram praticamente as mesmas que se faz sobre o México. Em São Paulo há alguns anos foi diferente, o Estado, com a Secretaria da Segurança, a Polícia Militar e tudo, com o rabinho entre as pernas, negociaram a paz quando "os mano" resolveram botar pra quebrar, mostrando que o importante é manter a ordem, não importa a que preço.

Nóis tamo na roça!

domingo, 5 de setembro de 2010

Num güento!

Assistir o horário eleitoral é pra exercitar nosso lado sadomasoquista. Tiririca, mulher pera, todos os candidatos de todas as instâncias prometendo resolver os problemas do país e do mundo, é sofrível mas dá pra aguentar.

Agora ouvir Maluf criticando aumento de salário para os marajás, no horário eleitoral ninguém merece. É muita cara de pau.